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  • Ursula Rösele

Escrever-me

Há muito tempo fico pensando na necessidade de escrever. Na adolescência escrevi uma série de poesias, mais tarde fiz alguns blogs, escrevi poemas, contos, cartas para o meu filho. Escrevi críticas de cinema por quase 7 anos, escrevi uma monografia, uma dissertação e uma tese.


Mas há muito tempo falta algo. Somatizei de diversas formas. No corpo, na depressão, em um olhar frequentemente entristecido que achava que a falta não estava dentro de mim.


Um dia meu ex-marido e eu resolvemos tentar engravidar. Foram quase 6 meses de uma espera ansiosa (pois a ansiedade mora em mim), até que um dia senti uma estranheza na barriga, fiz um teste e lá estava Antônio, hoje com quase quatro anos.


É um clichê, eu sei, dizer que a maternidade me mudou. É clichê dizer que meu filho é a melhor coisa da minha vida e depois de conhecer mulheres que não se sentem assim, percebi uma série de coisas das quais ainda vou falar.


Mas tudo ali me renasceu.


Não sei se é peso demais atribuir a ele e seus simbolismos, mas ver meu corpo transformar, sentir cada etapa, parir sem anestesia e olhar para o mundo depois disso, foi a experiência mais transformadora da minha vida.


Depois disso vieram tsunamis pessoais. doutorado, divórcio, encontro com a espiritualidade, solidão e um pacote de moléstias. Veio mais uma vez depressão, um sentimento de quase desistência, mistura com uma onipotência típica, por querer salvar a todes, menos a mim. E ando me escolhendo, sabem? Ainda que num processo diário de cair e recomeçar os passos, pois caminhar apossada do eu, olhando nos olhos do autoconhecimento é uma coisa difícil pra c.


Sou uma figura estranha, com sanha antropóloga descontextualizada, alma de Ally Mc Beal com Fantástico Mundo de Bobby, doçura e ira num mesmo corpo, canceriana com ascendente em áries, macumbeira e reikiana, aspirante a atleta (tentando reverter a aposentadoria precoce) e um ser que não consegue conter o amor, a raiva e as palavras.


Porque a escrita mora em mim e escrever-me é o único ato possível para seguir.


Pretendo, aqui neste site, não seguir muito ritmo ou padrão. Pretendo escrever do que me der na telha, desaguar se for o caso, silenciar se for também.


Quero falar de feminino, feminices e feminismos, quero falar de tinder e Santo Daime, quero falar de cinema e do meu filho.


Meu lugar é delicado, pois sou professora (ainda vou falar sobre isso também) e estou exposta de formas que não imaginava até pouco tempo atrás. Mas enfim... não sei se a docência mora em mim mais, mas este é certamente um lugar no qual, apesar de muitos desconfortos e certas injustiças, ainda gosto de estar.


Eu poderia vestir uma capa, escrever sem me colocar, mas eu sou a maré inteira e preciso desaguar.


Se quiser vir comigo, bora marear.


Um dia, com meus vinte anos, escrevi um poema que se chama "Escrevo, que meu sanar é água".


Queria começar o site com ele, mas não sei mais onde está. Vou procurar.


Sou Ursula. Ursula de Almeida, Ursula Rösele, Ursula de Almeida Rösele, Ucha, mãe, filha, amiga, professora.


Será um prazer partilhar minha escrita com você... vamos?


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