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  • Ursula Rösele

Quarentena em devaneio - cinco deles

#05

A quarentenar, a ideia é estar parada, parado, paradx Se eu quarenteno, o que é o mundo fora? Que limites tenho eu de fora e de dentro Se o fora não posso e o dentro é uma imensidão eu por inteira? Quarenteno eu Eu e meu pequeno Em busca de mil aventuras De uma externalidade possível somente aos olhos de uma criança De quarentena não morrerei Mas tenho visto morrerem versos, afundarem-se certezas, desnortearem-se amores Nessa prisão literal e hipotética Venho pensando em meu caos interno Em meus silêncios Nos poemas que deixamos de escrever Juntas, juntos, juntxs Penso que o tempo, este que repito e repito Deveria parar de forma estrondosa Acalentado, fantasio, pelos cantos que restaram pelas vozes de nossa memória pela imensa necessidade de parar Pararmos Cessar Cessarmos Romper Rompermos Cantar Cantarmos Gritar Gritarmos Alto, alto, grande, forte Aaaaaaaaaaahhhhhhh Que quarentena vivo eu Se aprisionada estou não em minha casa minha mente meus sonhos minhas palavras Mas presa na tela Esta sim Minha cela

Ursula Rösele - 27/03/2020)

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