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  • Ursula Rösele

Quarentena em devaneio - quatorze deles

#14

Apocalipse, caos, morte, genocídio... palavras que passaram a fazer parte do cotidiano. Colapso temporal em grandíssima escala, vida entre/intratelas. Dia após dia. Certas decepções, alguns desencantos e despedidas sem retorno. Mas houve carnaval. Dois meses que parecem ter sido há cinco anos atrás. Em janeiro estive em SP com Antônio, por cinco dias. Foi mágico... divertimos, passeamos, reencontrei inúmeras pessoas queridas, voltei com uma pilha de livros e o desejo de lá ficar. Houve início de semestre, a ideia de um futuro "normal". Reconfiguração de tudo e muitxs. E veio o carnaval. Afoxé Bandarerê, o bloco mágico. Amigas e amigos lindxs. Filhos de Tcha Tcha. Houve dança, riso, passos pela cidade afora, choro, graça e muitos abraços. Pandemia logo ali e nossa carne... de carnaval. Houve glitter, suor, tambor e reza. Houve mel com cachaça e catuçaí. A também reconfiguração dos espaços. As ruas de sempre, o antifluxo da hora do rush. O rush do gozo, das aglomerações, dos corpos em festa. E a pandemia logo ali. Teve banho de balde nas ruelas, celebração de um tempo que dura eternamente, naqueles cinco dias de carnaval. 50 anos em 5. E os desvios. Um fora de quadro para dentro do quadro. E as telas. Live. Vivxs estivemos naquele longínquo fevereiro. A pochete, o chup-chup, achar/perder a galera. Ver, rever, jamais visto. Carnavalizei. O verbo em saltos, de uma esquina à outra, corações colados, máscaras de enfeite. A anticlausura, o ar, as ruas, a cerveja gelada. Éramos felizes e soubemos. Ainda bem que te houve, meu carnaval.

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