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  • Ursula Rösele

Quarentena em devaneio - quinze deles

#15

(28/06/2020 – depois da live de quarentena do Milton Nascimento) Final de semana de saravá, axé, defumação e reza. De conectar com Padilha, acender vela vermelha, brindar espumante com ela e cantar, Laroyê! Tudo meio de novo, o enfado, o tédio e o dormir pouco. Mas um jeitinho cada vez mais certeiro de achar o centro, o foco, o ponto. Mergulhando obsessivamente em vestígios de rir e luz. Em música, meu filho e o cão. Um que morde, o outro que provoca e ri. O latido, a vozinha do meu menino de quase 5. Olho os dois e me rio inteira, deixando o som do ar levar o medo e deixar flor de vida. O dia a dia ensurdece e a gente teima. Vou-ser-feliz. Vou sim. Passo a permitir que os versos se façam simplesmente, sem ordem, sem método – são os dedos que bailam em mim. Deixo o prazer entrar, o gozo, a festa o rezo, a dança. Encho o ar de fumaça de fé. Eparrei oyá! Vou no voo dos pensamentos de logo ali Sonhar os sonhos de sol e flor entrando na janela Da casa que quero ter, das paredes que vou pintar Com Orixás pra todo lado Venho montando o cheiro do café de lá Nas poesias que volto a ler devagarinho E na água das frutas, que deixo escorrerem de meus lábios sem pressa de limpar. Vem vindo uma delícia de logo logo Em mim Que possuo “a estranha mania de ter fé na vida” (Viva Bituca! Viva Brant!)

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