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  • Ursula Rösele

Quarentena em devaneio - três deles

Percebam, aos poucos, a mudança sensorial do mundo. Ruas vazias, poucos corpos reconhecíveis, o mundo “ao vivo”, o amor na live, a saudade do que estava logo ali, o tempo inteiro. Vão lá, no discurso final de Chaplin (Hynkel) em “O grande ditador”. Na última sequência de “Glória feita de sangue”, de Stanley Kubrick. Vão às poesias. Parem, ouçam. Ouçam. Bach, John Lennon, Clara Nunes. Olhem nos olhos de uma criança e vislumbrem um passado inteiro, mais longo que os corpos delas. A sabedoria do pouco saber. Do pouco querer. Do pouco almejar. A alegria com os tupperwares, a celebração ao ver cachoeiras, o acalentar na voz serena. O desejo do regaço, do beijo, do sorriso sem álcool gel.

Do pó vieram e ao pó retornarão. Retornaremos. Sempre bom lembrar. (Ursula Rösele – BH, 24/03/2020)

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